sexta-feira, 23 de abril de 2010

Truman explicou o Big Brother...

O filme O Show de Truman retrata com primazia a crítica que os profissionais do cinema, e muitos teóricos da comunicação, fazem ao mundo televisivo, e aos efeitos alienadores que este produz no seu público. Essa produção americana de 1998, dos estúdios da Paramount Pictures, dirigida por Peter Weir, apresenta Jim Carrey no papel principal representando Truman, o primeiro ser vivo adotado por uma empresa, ainda no útero materno. O motivo, nada nobre, desta iniciativa era garantir os direitos de transmissão, ao vivo 24 horas, desta vida em desenvolvimento.
Após o nascimento, Truman é levado para a cidade cenográfica onde irá viver, crescer, estudar, trabalhar, casar, tudo registrado pelas milhares de câmeras escondidas responsáveis por transmitir o mais “autêntico” reality show que se poderia imaginar. No “céu” da gigantesca cúpula criada especialmente para o Show, o diretor e sua equipe técnica controlam atentamente cada passo, cada desejo, cada pensamento de Truman, e comandam todos os atores e figurantes que devem contracenar com esta incrível personagem para fazê-lo aceitar o que existe a sua volta como realidade. Tal estrutura parece a materialização do Panopticon, apresentado por Muniz Sodré em O Monopólio da Fala, “uma cela onde o prisioneiro é fixado espacialmente, como um ponto sempre controlável pelo olhar do vigia”. (p.16). Uma contradição, já que o diretor do Show, logo no início da trama, explica sua motivação, afirmando ter decidido representar uma vida por estar cansado da atuação de atores com suas emoções falsas.
O mundo de Truman é a materialização da ideologia pequeno burguesa, onde tudo é muito certinho, limpo, funcional e previsível, numa clara tentativa de controle de todos os aspectos e acontecimentos deste mundo., visando com isso construir uma personalidade para Truman que se encaixe perfeitamente neste mundo, aceitando sua condição. A TV quer dirigir a vida e ao tentar fazer isso, construindo uma subjetividade para Truman, acaba por sufocar as expressões subjetivas das audiências, que permanecem impassíveis, como que congeladas no espaço-tempo, aguardando por mais uma cena da vida de Truman, esquecidas de viver suas próprias vidas.
A constante necessidade de adaptação, para dar conta das manifestações espontâneas da natureza de Truman e seus questionamentos íntimos, acaba gerando uma obra sem roteiro definido e sem forma, caracterizada por uma certa descontinuidade, apresentando as explicações mais inverossímeis para as mudanças que se julgue necessário fazer para a manutenção desta existência ideal, sem que isso provoque qualquer mal estar nas audiências.
A maneira como o filme apresenta a relação da TV com a publicidade também é muito interessante. A lógica do programa obedece aos interesses dos patrocinadores, que com seu poder econômico, também exercem controle sobre o Show. Tudo é merchandising, tudo é vendável, sejam as roupas, objetos, comidas, ou simplesmente o estilo de vida, transformando Truman numa fonte de lucros assombrosos.
Outra personagem extremamente importante para compreensão da mensagem do filme é o diretor do Show. É ele quem fala pela TV, quem apresenta e justifica a lógica do mundo televisivo. Para ele a fórmula do sucesso do Show que criou é bem simples: “Truman nunca chegou perto da verdade porque aceitamos o mundo no qual estamos presentes”. Ao ser questionado sobre a falta de ética implícita na posse de um ser humano, impedindo-o de viver plenamente, ele argumenta que o mundo é doentio enquanto o programa, este sim, é o modelo de uma vida ideal, ambicionada por todos. Truman não é prisioneiro do Show, ele é quem, inconscientemente, escolhe permanecer na cela, vivendo em uma realidade muito mais confortável. Não há qualquer remorso quanto a se apropriar da vida de outro. Seu controle sobre tudo e todos, dentro daquele mundo paralelo que criou, o fazem se portar como um deus, que controla tudo de sua estação no céu, até mesmo o clima, o tempo e a fúria das marés. Quando perde o controle da situação, perde o controle de si mesmo, e, como um deus enfurecido, lança tormentas contra Truman, quase matando-o para eliminar qualquer dissonância em seu mundo ideal.
Apesar de todas as tentativas, a TV não consegue controlar todas as nuances da vida, nem consegue dar conta de suas manifestações espontâneas. Assim, após uma crise de identidade que nenhum subterfúgio melodramático conseguiu abafar, Truman decide finalmente fugir daquela realidade organicamente massacrante, em busca de emoções não previstas no roteiro. Ele navega em direção ao horizonte, só que em seu mundo tudo tem limite, até mesmo a falsa imensidão dos mares. Perplexo, ele descobre neste espaço uma porta que se abre para um outro mundo, capaz talvez de apresentar respostas para sua ansiedade, mas titubeia a princípio, talvez secretamente com medo de sair do controlado mundo que conhecia plenamente para mergulhar nas possibilidades do desconhecido.
E pela primeira vez, ele ouve a voz daquele que controlou sua vida por anos a fio, que da abóbada celestial afirma saber quem ele é, o que ele sente, e ser ainda capaz de lhe dizer o que é seguro e onde é o seu lugar no mundo. O diretor exalta que ali ele é o astro, e que isso é o que importa, é o que fará tudo valer a pena. Ainda assim, Truman prefere partir de mãos vazias, desmoronando o império midiático que se havia construído ao redor de sua vida.
Interessante também é perceber como o cinema apresenta os espectadores do espetáculo televisivo, estáticos, apáticos da própria vida, absortos na programação. Tornam-se tão dependentes desta forma de espetacularização da vida, que a simples interrupção na transmissão causa verdadeiro frisson nas audiências, fazendo-as sair de sua imobilidade, uma vez que substituíram a própria vida pela contemplação da vida de Truman, e ficando sem Truman sentem-se sem vida. Apesar desta relação subliminar de dependência, o público comemora feliz a libertação de Truman, como se comemorassem sua própria liberdade. Ao final da breve comemoração, no entanto, vão procurar outro programa, como mostra a cena final do filme, preconizando que quem se submete a assistir TV permanece por ela condicionado, preso em suas posições físico-sociais e submisso à atração audiovisual alienante.

terça-feira, 30 de março de 2010

Quem consegue?

A Academia Brasileira de Letras lançou um concurso com sabor de desafio. Um concurso literário com tema  livre e aberto a participantes de todas as idades. Onde está o desafio? Escrever um microconto com no máximo 140 caracteres, limite máximo das postagens no Twitter. O objetivo é promover a imagem da Academia no Twitter, por isso uma das exigências é que o participante seja um seguidor da ABLetras. Mas fiquem atentos para um detalhe: cada autor só poderá inscrever um conto que NÃO deve ser postados no Twitter. Ele deve ser enviado até o dia 30 de abril para o email academia@academia.org.br, junto com o nome completo do autor, identificação no Twitter, endereço e telefone para contato. O uso correto das normas gramaticais será um dos critérios de avaliação, então fiquem atentos à coesão, coerência e ortografia. Os três vencedores selecionados pela Academia terão seus microcontos divulgados no portal da ABL e no ABLetras. Para mais informações confira o edital.

Vagas para profissionais de Comunicação

O Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) vai realizar concurso para preencher 38 vagas de Analista (Nível Superior) e formação de cadastro reserva para outras vagas de Analista e Técnico (Nível Médio). Para os profissionais de Comunicação Social existem 4 vagas em Brasília e 1 em São Paulo, além da possibilidade de integrar o cadastro reserva. Para ler o edital basta seguir o link.
As inscrições para os cargos de Nível Superior custam R$ 72,00 e podem ser feitas no site do CESPE entre os dias 31 de março e 19 de abril.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O cinema nas ondas do rádio

Esse é o tema do Festival Internacional de Cinema de Arquivo, REcine, deste ano. Sendo parte das comemorações do ano da França no Brasil, o REcine 2009 presta uma homenagem aos profissionais do rádio, lembrando os tempos das rádionovelas e programas de auditório, destacando grandes nomes do setor. Na programação uma Mostra Informativa, que oferecerá ao público filmes que falam sobre o rádio, e uma Mostra Competitiva, que exibirá filmes que reutilizam imagens de arquivo em suas produções. A Mostra Competitiva faz parte de uma política do Arquivo Nacional de estímulo ao reaproveitamento de imagens e sons dos acervos de relevância histórica que guarda. Além da exibição de filmes e da exposição, acontecerão ainda mesas de debates e homenagens. O Festival acontece entre os dias 21 e 25 de setembro nas instalações do Arquivo Nacional, que fica na Praça da República, 173, Centro do Rio. Mais informações e a programação completa podem ser obtidos no site
http://www.recine.com.br/2009/home.php

O SESC Rio promove palestras ecológicas na unidade Tijuca.

Os eventos serão gratuitos e acontecem em seu Espaço Ecológico, na Rua Barão de Mesquita, 539 Tijuca. Serão quatro sábados, um a cada mês, começando sempre às 10 horas da manhã. O primeiro será esta semana, dia 19/09, com a palestra de Pólita Gonçalves - autora do livro "A Reciclagem Integradora dos Aspectos Ambientais, Sociais e Econômicos". As outras datas marcadas são nos dias 24/10, 28/11 e 05/12. A entidade espera contar com a presença de educadores e pessoas interessadas em educação ambiental. Para obter mais informações: Tel 3238-2064, tatianapereira@sescrio.org.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Justiça para garantir respeito ao próximo

Uma notícia que é um alívio para quem utiliza os trens da SuperVia, a 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio proibiu definitivamente os cultos religiosos dentro dos vagões. A empresa tem até o dia 5 de outubro para colocar avisos sobre a proibição em todas as estações e dentro dos vagões. Em caso de descumprimento pagará multa diária de R$ 1 mil. De acordo com a SuperVia, seus agentes serão orientados a fazer cumprir a determinação da Justiça, e caso algum pregador se recuse a aceitar a limitação deverão acionar a polícia.

A medida visa proteger a tranqüilidade e garantir o direito a liberdade religiosa dos passageiros constantemente expostos aos exageros de pregadores evangélicos dentro dos vagões. Alguns chegam a levar instrumentos musicais e microfones para as composições, transformando-as em extensões de seus templos. Em função das reclamações de passageiros, a SuperVia havia tentado minimizar o problema alegando que destinava um vagão para tais manifestações, a exemplo do que faz com os vagões somente para mulheres. Mas essa medida estava longe de ser solução: quantos vagões teriam que ser reservados para que a empresa pudesse garantir liberdade de expressão religiosa, afinal católicos, espíritas, budistas e entre tantos outros poderiam também desejar falar ao público “enlatado” nos vagões cheios durante o longo percurso das viagens. Ademais é bastante comum esses pregadores caminharem entre os vagões e tentarem entregar folhetos, conquistar a atenção dos que cochilam ou conversam com gritaria, e em casos mais extremos, quando se sentem em maior número, proferir ofensas contra quem rejeita seus folhetos ou manifesta sua insatisfação.

Um transporte coletivo de massa parece ser considerado terreno próspero para pregação já que pelo longo período da viagem condensa um grande número de indivíduos que, tendo pago a passagem e desejando chegar a seus destinos, acabam se sujeitando. A SuperVia deveria ter tomado providências quanto a isso faz tempo, afinal seu faturamento não é nada desprezível se estimarmos a quantidade de passageiros que transporta diariamente, e o mínimo que se pode esperar é que tente buscar a satisfação de seus clientes. Mas permitiu que acontecesse, como muitos dos transtornos que seus clientes têm que enfrentar. Agora a Justiça teve que intervir. Resta esperar que se cumpra a determinação judicial.

Para quem trabalha com Direitos da Criança e do Adolescente

Acontece nesta sexta-feira, 18 de setembro, o Simpósio Impasses em Práticas de Depoimentos de Crianças e Adolescentes. O evento é realizado pelo Instituto de Psicologia – UERJ e conta com apoio da FAPERJ e tratará de dois temas: às 13hs, Questões éticas e metodológicas da escuta de crianças e adolescentes; e às 15 hs, Testemunho infanto-juvenil: implicações. Ele acontece nas dependências da universidade, Rua São Francisco Xavier, 524, auditório 91 – Maracanã. Mais informações : simposiodepoimento@yahoo.com.br/ (21) 2334.0872